Tipos de fertilizantes especiais: como escolher e aplicar corretamente na sua cultura 

Entenda as tecnologias que complementam a nutrição da planta, saiba quando aplicar cada uma e otimize a nutrição da sua lavoura.

Conhecer os tipos de fertilizantes especiais é decisivo na busca por produtividade, principalmente quando muitos produtores esbarram no limite do que a adubação básica consegue entregar, seja por perdas no solo, variações de clima ou picos de exigência da planta. 

É nesse cenário que entram os fertilizantes especiais. Eles não substituem o manejo convencional, mas atuam como ferramentas cirúrgicas para destravar o potencial das culturas. 

A seguir, você vai entender como cada um desses produtos funciona, a diferença entre fertilizante convencional e especial, e qual é a hora certa de colocar cada tecnologia no campo. Continue a leitura! 

O que diferencia um fertilizante especial do fertilizante convencional 

O fertilizante convencional (como o clássico NPK granulado) tem a função de entregar o volume bruto de macronutrientes que a planta precisa para crescer.  

Já os fertilizantes especiais são formulados para resolver os “gargalos” dessa nutrição. Eles contam com tecnologias que permitem uma maior eficiência de absorção, evitam a perda de nutrientes para o ambiente (como a lixiviação do nitrogênio) ou entregam micronutrientes de forma altamente disponível, como os quelatos.  

Em resumo, o fertilizante especial é estratégico: ele foca em fazer a planta aproveitar o máximo do que foi aplicado, entregando respostas mais precisas. 

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Fertilizante foliar: como nutrir a planta diretamente pela folha 

A folha é a via expressa da nutrição vegetal. Quando a raiz não consegue absorver o que a planta precisa do solo, a aplicação de fertilizantes foliares é a segunda via de acesso da planta a esses nutrientes essenciais. 

Folha de milho com gotas de água sobre a sua superfície, representando os fertilizantes foliares, um dos tipos de fertilizantes especiais.

Quando o fertilizante foliar é mais eficiente que a adubação no solo 

fertilizante foliar brilha em situações de urgência nutricional ou quando o solo “trava” os nutrientes (devido a um pH inadequado ou seca severa). Ele também é a melhor escolha para a complementação da nutrição em estádios críticos, como na fase de enchimento de grãos na soja e no milho, ou durante o pegamento da florada no café, onde a demanda por energia é imediata. 

Como aplicar fertilizante foliar corretamente sem queimar as folhas 

Para evitar a fitotoxidez (queima das folhas), respeitar rigorosamente a concentração de calda indicada na bula é essencial.  

A aplicação deve ser feita nos horários de temperatura mais amena e alta umidade relativa do ar, preferencialmente no início da manhã ou no fim da tarde, utilizando os EPIs adequados. 

Fique atento também à compatibilidade: misturar produtos no mesmo tanque pode gerar reações que anulam a eficiência do fertilizante. Por isso, sempre confira as orientações da bula. 

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Fertilizante organomineral: a junção da matéria orgânica com os nutrientes minerais 

O organomineral une o melhor de dois mundos: a energia química rápida dos minerais com o poder condicionador da matéria orgânica, criando um ambiente perfeito para a nutrição das plantas. 

Pilha de fertilizante organomineral em pellets marrons, um dos tipos de fertilizantes especiais.

Quais as vantagens do organomineral em relação aos fertilizantes convencionais 

Diferente dos fertilizantes convencionais, o fertilizante organomineral melhora a estrutura do solo e permite uma liberação mais gradual dos nutrientes no solo. 

Os benefícios são o aumento da retenção de água e nutrientes no solo, redução do risco de salinização (queima de raízes). Além disso, ele serve de alimento para os microrganismos benéficos do solo. 

Em quais culturas e momentos o organomineral se destaca 

O organomineral é excelente para a adubação de base (plantio) em solos degradados ou arenosos que precisam de reconstrução da fertilidade. Tem ganhado muito espaço em culturas perenes, hortaliças e em sistemas de produção que valorizam a saúde do solo. 

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Fertilizante de liberação controlada: eficiência ao longo do ciclo da cultura 

Fornecer nutrientes de forma gradual durante o ciclo da cultura: essa é a premissa dos fertilizantes de liberação controlada, que evitam momentos de excesso ou as faltas de nutrientes na lavoura. 

Pilha de fertilizantes de liberação controlada de cor amarelada, um tipo de fertilizante especial.

Como funciona o mecanismo de liberação controlada 

Os grânulos desse fertilizante recebem um revestimento especial (geralmente polímeros ou enxofre). Essa cápsula controla a saída do nutriente de acordo com a temperatura e a umidade do solo.  

Isso significa que o fertilizante só é liberado quando há condições ideais para a raiz absorver, reduzindo as perdas por lixiviação ou volatilização

Quando justifica o investimento em fertilizante de liberação controlada

O investimento é justificado principalmente quando há necessidade de reduzir o número de entradas de maquinário na área e em culturas de ciclo longo e alto valor agregado, como algodão e café.  

Também é a escolha perfeita para vasos e jardins, para reduzir a frequência das manutenções. 

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Biofertilizantes e inoculantes: nutrição com base na biologia do solo 

Por fim, outro tipo de fertilizantes especiais são os biofertilizantes e inoculantes, que se baseiam em mecanismos inspirados na própria natureza para a nutrição das plantas. 

O que são biofertilizantes e como eles diferem dos fertilizantes convencionais 

Enquanto os fertilizantes convencionais entregam o nutriente pronto para a planta, o biofertilizante e os inoculantes entregam microrganismos vivos (bactérias e fungos) ou substâncias orgânicas ativas que atuam diretamente na nutrição das plantas. 

O maior exemplo de sucesso no Brasil é a inoculação da soja com bactérias do gênero Bradyrhizobium. Elas colonizam as raízes formando nódulos e realizam a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN).  

Nessa simbiose, a planta fornece energia e, em troca, as bactérias capturam o nitrogênio da atmosfera e o transformam em nutriente prontamente assimilável, dispensando totalmente o uso de fertilizantes nitrogenados. 

Galão de biofertilizante em lavoura, um dos tipos de fertilizantes especiais.

Comparativo: guia prático de fertilizantes especiais 

Tipo de fertilizante especial Diferencial principal Quando usar Cuidados na aplicação 
Foliar Absorção rápida e correção imediata. Deficiências nutricionais ou fases de grande demanda de nutrientes. Evitar sol forte; checar compatibilidade de calda. 
Organomineral Melhora o solo e nutre a planta. Para evitar a fixação de nutrientes no solo (especialmente o fósforo) e para elevar a CTC (retenção de nutrientes) da área. Distribuir uniformemente no solo. 
Liberação controladaNutrição contínua. Para sincronizar a entrega do nutriente com a curva de absorção da planta e reduzir custos operacionais. Evitar o rompimento físico do grânulo no manuseio. 
Biofertilizantes / Inoculantes Potencializa a absorção de nutrientes. No tratamento de sementes ou via sulco de plantio. Manter longe de luz solar direta e verificar necessidade de refrigeração. 

Como escolher o fertilizante especial certo para a sua lavoura 

Para escolher o fertilizante especial ideal o ponto de partida é sempre uma boa análise de solo recente, levando também em consideração o estágio em que a sua cultura se encontra e se ela apresenta algum sintoma de deficiência nutricional. 

Além disso, considere sempre o histórico de resposta da sua área: se você sempre perde nitrogênio na adubação de cobertura, por exemplo, o custo-benefício de um fertilizante de liberação lenta já se justifica. A tecnologia certa paga o próprio custo através do ganho real de produtividade. 

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